Rumo a um mundo novo

Diversidade em Histórias

Dicas

 

Histórias e outros recursos para explorar e aceitar a diversidade: a chave para a inclusão é reconhecer a originalidade do outro. (Carolina Harris)

Laurita tem 3 anos. Desde muito pequena ela foi uma criança super adaptada ao ambiente e está sempre tentando agradar. Sua mãe percebeu que às vezes é difícil para ela expressar suas necessidades por medo de que não a incluam nas brincadeiras de seus primos, todos homens. Em uma situação anterior em que queria se vestir de princesa, decidiram excluí-la por estar fazendo uma “brincadeira de meninas”. A mãe não quer que Laurita deixe de expressar quem ela é para se sentir fazendo parte das brincadeiras, mas entende que seus primos também são pequenos e que, por isso, incluí-la e aceitá-la faz parte de um processo.

Quando falamos em inclusão, às vezes acreditamos que se trata de fazer sentir que não existem diferenças no mundo. Na verdade, são as diferenças que nos fazem viver em um mundo mais completo e compreender a contribuição da originalidade de cada um é o que nos faz uma sociedade mais enriquecida.

Por exemplo, a Dra. Stefanie Johnson, estudando o valor da diversidade no ambiente de trabalho, desenvolveu a ideia de que para falar de verdadeira inclusão uma pessoa deve viver a experiência não só de pertencer, mas também de fazer parte com toda a sua originalidade e elementos diferenciadores e desenvolveu uma base de orientação para modificar as situações quando isto não se produz. Quer dizer, por exemplo, quando alguém pertence a uma comunidade, mas não pode ser “ele mesmo” (de forma incompleta), quando alguém por ser “ele mesmo” não consegue pertencer (e por isso é isolado), ou mesmo, no pior dos casos, quando alguém é absolutamente invisível e negado pelos outros, sendo marginalizado e suas diferenças não sendo reconhecidas.

Embora as crianças não entendam completamente o conceito de “inclusão”, “fazer parte de” ou “ser você mesmo”, é a partir de suas primeiras experiências sociais que começam a experimentar a sensação de pertencer e incluir e é aí onde também podemos ir observando e intervindo, caso necessário.

Por outro lado, na medida em que vão aprendendo a categorizar o mundo, vão percebendo certas semelhanças entre certas coisas e certas pessoas e vão agrupando e destacando mais as diferenças. Um exemplo é quando lhes ensinamos as cores ou outra categoria simples e lhes damos a instrução para “agruparem os iguais”, “os da mesma cor” ou os que “têm a mesma forma”. Gostaria de esclarecer que essas categorizações fazem parte naturalmente do processo de aprender a diferenciar e organizar o mundo. No entanto, uma atividade assim, sempre pode finalizar dizendo que “apesar de tantas cores parecidas e diferentes, que bom que há espaço para todos os lápis de cera na mesma caixa”.

Outros recursos que podem ser usados com crianças pequenas são os livros de histórias simples sobre inclusão, que podem nos ajudar a explorar a diversidade e o próprio valor pessoal no ritmo da criança. Uma das mais belas coleções (em termos de ilustrações e mensagens) é a do autor americano Todd Parr, cujos livros também foram traduzidos para o português e que podemos ver no YouTube para conhecê-los primeiro como adultos e nos prepararmos para adaptar as mensagens para a linguagem e o nível de exploração da criança, que talvez a princípio não entenderia ao todo de que que se trata, mas que vai se apegar à sua narrativa e imagens a partir da repetição da experiência de ler a história com sua mãe ou seu pai.

  • “Tudo bem ser diferente” (Todd Parr): Aqui o autor, por meio de ilustrações e histórias simples, mostra-nos diferentes situações e pessoas para entender que está tudo bem ser ou sentir de certos modos que podem ser iguais ou diferentes dos meus. Nas ilustrações podemos ver pessoas de diferentes cores, formas e atividades, enriquecendo nosso espectro do mundo em que vivemos.
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  • “O livro da família” (Todd Parr): Entendendo que existem muitas maneiras de formar uma família, este é um livro para pensar em como é a minha e que outras características podem ter outras famílias diferentes da que eu pertenço. De maneira semelhante, neste livro podemos explorar a diversidade de famílias que podem existir no mundo e seus interesses.
  • “O livro da gentileza” (Todd Parr): Este é um livro muito bom para começar a modelar ações gentis e empáticas com os outros. Embora em uma criança pequena essas ações não necessariamente serão internalizadas desde o início, através dos desenhos e as mensagens, podemos ir criando o hábito de pensar de uma forma gentil com o resto.
  • Outros livros que potencializam a autoaceitação, o valor e o prazer das minhas características únicas: “O Livro do Planeta Terra”, “Tudo bem cometer erros” (Todd Parr) e “Elmer” (David McKee). Este último é um livro sobre uma manada de elefantes altos, baixos, gordinhos, magros, todos da mesma cor. No entanto, Elmer era de muitas cores e queria ser como os demais, passando a mensagem de ser você mesmo e se aceitar como você é, porque se fôssemos iguais o mundo seria muito chato.
  • Convidamos todas as crianças para reconhecer o valor de conviver com o diferente. Não somente aquelas que, por suas características individuais ou capacidades diferentes, realizam esforços para pertencer, mas a todos que têm a oportunidade de conhecer um mundo com sua ampla gama de cores, sons e possibilidades e que com nossa companhia e orientação, possam explorá-lo de uma forma divertida e segura. Desta forma, não enchemos uma criança pequena de informação, simplesmente deixamos que ela nos pergunte em novas situações e, com a nossa ajuda, possa criar novas categorias de possibilidades em sua mente.